Com aviões Embraer 135 e 145, esta empresa está mudando o jeito de voar regional

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Imagem: JetSuiteX

Já imaginou se você pudesse fazer uma viagem aérea regional com um atendimento semelhante ao de um exclusivo voo executivo, sem necessidade de abarrotados terminais de passageiros e filas de embarque, mas sem pagar os proibitivos preços de um luxuoso jato executivo de táxi aéreo?

É o que tem feito a americana JetSuiteX, ou JSX, usando aviões de fabricação brasileira Embraer ERJ-135 e ERJ-145 para oferecer uma experiência muito mais privativa de viagem, posicionando-se em uma espécie de mercado intermediário entre a linha aérea regular e o táxi aéreo.

E o modelo de operação tem feito tanto sucesso que, em cerca de 5 anos desde sua fundação, a empresa já conta um total de 23 aviões em sua frota (dezesseis do -135 e sete do -145), que atendem a 12 destinos regulares e 2 sazonais em 5 estados dos Estados Unidos.

Os preços das passagens da JSX ficam um pouco acima da classe econômica das concorrentes que operam nas mesmas rotas, chegando até ao dobro quando comparados com as empresas low-cost low-fare, que são realmente muito baratas naquele país. Porém, o valor enxergado pelos clientes em função do serviço diferenciado tem sido o grande trunfo.

Conforme descreve o The Points Guy, que experimentou um voo na JSX, as tarifas começam em torno dos $98 dólares e o cliente pode acumular milhas no programa TrueBlue da companhia aérea JetBlue, já que a JSX foi criado por ex-executivos da grande empresa.

Pagando muito menos do que um serviço de jato executivo, o passageiro conta com benefícios como poder chegar apenas 20 minutos antes do voo e adentrar a um hangar, por exemplo, da área de aviação geral, ao invés do terminal de embarque do aeroporto.

Além disso, a pessoa é apenas pré-inspecionada e as malas são avaliadas em busca de explosivos, ao invés das tradicionais inspeções de segurança da TSA com disposição de pertences no raio-x e retirada de sapatos. Tudo isso dentro da regulamentação, porque a empresa opera como se fosse um táxi aéreo, e não uma empresa de transporte aéreo regular.

Imagem: JetSuiteX

Na “área de embarque”, o viajante pode escolher ficar em uma sala de espera ou em uma área com mesas e cadeiras ou bancos dentro do próprio hangar, próximo ao avião, como na imagem acima. Como a ideia é que o viajante chegue pouco antes do horário da partida, e a empresa não opera voos com conexões, não há necessidade de oferecer salas de embarque com serviços mais completos.

Dentro da aeronave, a vantagem é uma configuração interna de 30 assentos em configuração 1+2 ou 1+1, enquanto originalmente o ERJ-135 foi projetado para 37 passageiros e o ERJ-145 para 50. Além do próprio espaço extra disponível, os assentos são bem mais confortáveis do que de uma classe econômica de linha aérea e estes aviões não possuem bins (os compartimentos de bagagem no teto), dando também maior espaço sobre a cabeça.

Imagem: JetSuiteX

A desvantagem fica por conta dessa ausência de bins, de forma que o passageiro apenas pode levar a bordo uma bagagem que seja acomodável abaixo do assento da frente. Mas a empresa oferece duas bagagens de 23 kg despachadas na tarifa básica e três na tarifa completa.

Variados snacks e bebidas são disponibilizados gratuitamente a bordo, e comissários de bordo passam frequentemente pelos assentos oferecendo mais bebidas, mesmo se tratando de curtos voos regionais.

Imagem: JetSuiteX / knutopilot

Por fim, no desembarque, mais uma vez longe dos movimentados terminais de desembarque, os passageiros encontram suas malas ao lado da aeronave logo ao desembarcarem, sem necessidade de espera em esteiras de restituição de bagagem.

E, é claro, se não bastassem todos os benefícios acima citados, ainda há a economia do tempo extra que seria gasto em um embarque/desembarque normal, o que para muitas pessoas é ainda mais valioso do que qualquer outra vantagem.

Para conferir as fotos feitas pelo The Points Guy durante sua experiência com a JSX, você pode clicar aqui.

Sendo tão revolucionária em seu novo jeito de voar, era de se esperar que problemas surgiriam. Foi o que aconteceu, por exemplo, em setembro do ano passado, quando um dos aeroportos em que a empresa opera decidiu que ela deveria se mudar para o terminal de passageiros ou deixar de operar no local, afinal, a empresa não paga taxas de embarque, assim como seus passageiros não pagam taxas e não consomem no terminal.

A JSX então lançou uma campanha para que seus passageiros pressionassem o aeroporto, e ao que tudo indica, o aeroporto deve ter repensado sua decisão, pois a empresa continua até hoje oferecendo voos para lá.

Murilo Basseto
Murilo Bassetohttp://aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e com Pós-Graduação em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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