Piloto perde controle do avião durante salto de paraquedistas, assista ao momento

O avião fora de controle ao lado dos paraquedistas, em cena de um dos vídeos abaixo

Um incidente em voo foi registrado em vídeos cerca de um mês atrás, conforme as gravações que você assiste logo abaixo, quando a aeronave entrou em um parafuso não comandado após muitas pessoas ficarem na porta durante procedimento de lançamento de paraquedistas. O parafuso é o movimento de giro das asas do avião em seu eixo longitudinal, que pode ser feito propositalmente pelo piloto ou ocorrer de forma não-intencional quando algo afeta o desempenho de voo.

Veja nas duas gravações a seguir, captadas de diferentes pontos de vista por câmeras nos capacetes de dois dos paraquedistas, o momento em que o avião entra no movimento de giro após abaixar sua asa esquerda, enquanto os paraquedistas ainda estavam na porta se preparando para o salto. Depois, logo abaixo dos vídeos, trazemos mais detalhes sobre o incidente.

Segundo informações do processo de investigação promovido pela Autoridade de Aviação Civil (CAA) da África do Sul, divulgadas pelo portal Aviation Safety, no incidente ocorrido em Mossel Bay, África do Sul, o Beechcraft C90 King Air, registrado sob a matrícula ZH-OHB conforme se observa nos vídeos, foi ajustado para o procedimento de liberação dos paraquedistas a uma altitude de 16000 pés (4.870 metros) em relação ao nível do solo.

Segundo a descrição de um dos paraquedistas, “abrimos a porta e começamos a subir. Como é normal, a equipe de skydive estava totalmente focada em conseguir o posicionamento e o tempo de saída corretos. Esse foco intenso na tarefa resultou em muitos dos paraquedistas não prestando atenção nos sinais reveladores de um estol iminente”.

Segundo o paraquedista, em apenas alguns segundos, o avião ‘dançou’ uma vez e, logo depois, mais duas vezes, após o que a aeronave inciou o giro. Aqueles do lado de fora da porta e imediatamente dentro da porta pularam.

“Com 9 de nós inicialmente no céu, ainda havia 5 paraquedistas dentro da aeronave. O avião caiu e girou, o nariz abaixado ao nosso lado. O momento foi surreal e não pude acreditar no que estava vendo. Tudo aconteceu em câmera lenta e me lembro de ter pensado ‘estou realmente vendo o avião virando o nariz para baixo ao nosso lado'”, continuou a descrever.

“Após o giro, a aeronave começou a desviar por baixo de nós, mas felizmente não fez contato com ninguém. Quando a aeronave começou a se recuperar do estol (ainda instável), mais um paraquedista saiu, deixando 4 paraquedistas e o piloto na aeronave. Depois que fiquei satisfeito com a recuperação da aeronave (é uma coisa fascinante e incomum ver a aeronave da qual você pulou abaixo de você em queda livre), procurei no céu por minha equipe e os encontrei construindo as formações pré-planejadas de maneira segura e normal”.

A aeronave retornou e pousou com segurança na pista, e o incidente foi prontamente relatado às autoridades competentes. No dia seguinte, a equipe de salto fez ajustes em seu procedimento de saída após uma conversa com o piloto e nenhum outro incidente ou quase incidente ocorreu.

Segundo o AvWeb, o piloto do King Air comentou que o avião perdeu a condição de voo controlado porque muitos paraquedistas saíram pela porta ao mesmo tempo. “O estol e o giro subsequente aconteceram quando permitimos muitos paraquedistas no exterior, causando um centro de gravidade muito traseiro e bloqueio excessivo do fluxo de ar para o estabilizador horizontal esquerdo. O nariz então se elevou além da controlabilidade do profundor”.

Ele disse que rapidamente ficou sem controle de leme e profundor, e depois que a asa direita subiu, ele cortou a potência de ambos os motores e começou a recuperação. “A aeronave se comportou muito bem e a recuperação foi surpreendentemente fácil. Puxei o mais suavemente possível, pois não queria sobrecarregar a estrutura. Houve alguma instabilidade adicional quando saí do mergulho e empurrei as manetes para frente para aumentar a potência, pois um motor acelerou muito mais rápido do que o outro e causou outro momento assimétrico.”

Ele também disse que a aeronave é pilotada intencionalmente com potência assimétrica para a liberação de paraquedistas para evitar que sejam atingidos pelo fluxo de ar da hélice do motor esquerdo. “A potência é mantida no motor direito para manter a altitude durante o salto, que normalmente leva 60 segundos”, escreveu ele. “Uma boa quantidade de leme para a direita é necessária para voar em linha reta nesta configuração. O piloto deve manter 95 a 90 nós de velocidade indicada.”

Ele disse que o incidente foi relatado às autoridades, que a aeronave foi inspecionada, que a operação agora limitou o número de saltadores do lado de fora a cinco de cada vez e que os paraquedistas sempre serão instruídos a pular da porta da aeronave se ela começar a elevar o nariz repentinamente.

Murilo Basseto
Murilo Bassetohttp://aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e com Pós-Graduação em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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