Após Gol e Latam, Azul também reporta prejuízo bilionário no 2º trimestre de 2022

Airbus A330neo

Após um primeiro trimestre em que as condições econômicas e financeiras do Brasil ajudaram a impulsionar os resultados das três grandes empresas aéreas do mercado doméstico do país, totalizando lucro de R$ 4,5 bilhões na soma dos resultados, o segundo voltou a demonstrar o enorme desafio que elas ainda enfrentam com as consequências da pandemia e de diversos conflitos geopolíticos pelo mundo.

Na sequência do que se verificou nos últimos dias com a Gol e a Latam, que reportaram prejuízos líquidos de, respectivamente, R$ 2,85 bilhões e R$ 2,5 bilhões no 2º trimestre de 2022 (2T22), nesta quinta-feira, 11 de agosto, a Azul apresentou os seus resultados do período, reportando prejuízo líquido de R$ 2,6 bilhões.

Assim, juntas, as três grandes operadoras aéreas do Brasil totalizaram quase R$ 8 bilhões de prejuízo líquido no 2º trimestre.

Comparação com o ano anterior

Na comparação com o ano anterior, em que no 2º trimestre de 2021 o resultado da Azul foi um lucro líquido de R$ 1,07 bilhão, vale destacar que tanto o lucro do 2T21 quanto este prejuízo reportado hoje foram fortemente impactado pela variação cambial no período, já que, em termos dos resultados operacionais, a companhia havia tido prejuízo no trimestre do ano passado e teve lucro no deste ano, conforme detalhado a seguir.

Resultado das operações, do prejuízo ao lucro

Segundo os dados, a Receita Líquida da Azul, ou seja, o dinheiro que entrou com suas operações, foi de R$ 1,7 bilhão no 1T21 e agora passou a R$ 3,9 bilhões no 2T22, um forte crescimento de 130,5%, já que no ano passado ainda havia grandes efeitos da pandemia.

Segundo a Azul, isso também representa um aumento de 50% de receita em relação ao 2T19, quando não havia efeitos da pandemia.

Enquanto isso, os Custos e Despesas Operacionais, ou seja, todo o dinheiro que saiu nos gastos envolvidos nas operações, foi de R$ 2,1 bilhões no 2T21 e agora passou a R$ 3,8 bilhões no 2T22, um aumento de 80,2%, bem menor do que a melhora da receita vista acima, mesmo com o gasto com combustível aumentando 178,7% entre os trimestres.

Assim, o Resultado Operacional, que havia sido um prejuízo de R$ 400,2 milhões no 2º trimestre do ano passado, se transformou em lucro de R$ 136,5 milhões neste 2º trimestre de 2022.

Segundo a Azul, a maior parte do crescimento vem da transformação da frota, que permite expandir a capacidade ao mesmo tempo em que se reduz os custos, substituindo aeronaves pelas de última geração, maiores e mais eficientes no consumo de combustível.

Resultado financeiro, o prejuízo bilionário

Por fim, observando o Resultado Financeiro do semestre, chega-se ao causador do impacto notado no Resultado Líquido negativo do período, as incertezas geopolíticas que levaram ao aumento dos preços dos combustíveis e à desvalorização do real brasileiro.

Com isso, somente as Variações monetárias e cambiais, que haviam ficado positivas em R$ 2,28 bilhões no 2º trimestre de 2021, agora se tornaram negativas em R$ 2,01 bilhões no 2º trimestre de 2022, sendo o principal motivo do prejuízo de R$ 2,6 bilhões do trimestre.

Com informações da Azul Linhas Aéreas

Murilo Basseto
Murilo Bassetohttp://aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e com Pós-Graduação em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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